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Tecnologia25 de agosto de 2026

Fiscalização por Velocidade Média: O Fim do Comportamento 'Canguru' nas Rodovias?

A fiscalização por velocidade média ganha força como alternativa para coibir freadas bruscas em radares, mas sua implementação no Brasil ainda aguarda mudanças no Código de Trânsito Brasileiro.

Fiscalização por Velocidade Média: O Fim do Comportamento 'Canguru' nas Rodovias?

O comportamento de reduzir a velocidade apenas ao se aproximar de um radar e acelerar logo em seguida, popularmente conhecido como 'efeito canguru', é um desafio constante para a segurança viária no Brasil. Esse padrão de condução não apenas compromete a fluidez do tráfego, mas também aumenta significativamente o risco de colisões traseiras e acidentes graves em rodovias. Diante desse cenário, a fiscalização por velocidade média surge como uma solução tecnológica promissora, capaz de monitorar o deslocamento do veículo entre dois pontos distintos, garantindo que o limite de velocidade seja respeitado ao longo de todo o percurso, e não apenas em pontos isolados.

Tecnologia e Eficácia na Segurança Viária

A tecnologia de velocidade média opera através de câmeras instaladas em pares, que registram o horário exato de passagem do veículo em cada ponto. Ao calcular o tempo de percurso em relação à distância, o sistema determina a velocidade média desenvolvida pelo condutor. Experiências recentes, como a realizada em rodovias federais próximas a Uberaba (MG), demonstraram que o número de infrações detectadas por esse método pode ser até 66 vezes superior ao registrado por radares convencionais. Esse dado evidencia que a fiscalização pontual é insuficiente para inibir comportamentos de risco, enquanto o monitoramento de trecho promove uma condução mais constante, homogênea e, consequentemente, mais segura para todos os usuários da via.

O Entrave Legal e o Futuro da Fiscalização

Embora a eficácia técnica seja reconhecida por especialistas e entidades de segurança, a aplicação de multas baseadas na velocidade média ainda enfrenta barreiras jurídicas no Brasil. Atualmente, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não prevê a autuação por velocidade média, limitando a fiscalização eletrônica à medição instantânea no momento da passagem pelo equipamento. Projetos de lei tramitam no Congresso Nacional com o objetivo de atualizar a legislação e permitir a adoção desse modelo, mas ainda não há uma definição clara sobre prazos para a implementação definitiva. Para as empresas do setor de assistência veicular e associações de proteção, acompanhar essa evolução é fundamental, pois a mudança na forma de fiscalizar impactará diretamente a dinâmica de sinistros e a necessidade de suporte nas estradas.

Integração entre Infraestrutura e Conscientização

É importante ressaltar que a tecnologia, por si só, não substitui a necessidade de uma infraestrutura adequada e de uma sinalização clara. O debate sobre a velocidade média deve caminhar lado a lado com a readequação dos limites de velocidade, considerando as características específicas de cada trecho, como curvas, volume de tráfego e histórico de acidentes. A visão de especialistas aponta que a fiscalização deve ser vista como uma ferramenta de preservação da vida, e não apenas como um mecanismo punitivo. Para que o sistema seja eficaz, a conscientização dos motoristas sobre a importância de manter uma velocidade constante deve ser o pilar central, transformando a cultura de direção nas rodovias brasileiras em prol de um trânsito mais humano e menos propenso a fatalidades.

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