Fiscalização por Velocidade Média: O Fim do Comportamento 'Canguru' nas Rodovias?
A fiscalização por velocidade média ganha força como alternativa para coibir freadas bruscas em radares, mas sua implementação no Brasil ainda aguarda mudanças no Código de Trânsito Brasileiro.

O comportamento de reduzir a velocidade apenas ao se aproximar de um radar e acelerar logo em seguida, popularmente conhecido como 'efeito canguru', é um desafio constante para a segurança viária no Brasil. Esse padrão de condução não apenas compromete a fluidez do tráfego, mas também aumenta significativamente o risco de colisões traseiras e acidentes graves em rodovias. Diante desse cenário, a fiscalização por velocidade média surge como uma solução tecnológica promissora, capaz de monitorar o deslocamento do veículo entre dois pontos distintos, garantindo que o limite de velocidade seja respeitado ao longo de todo o percurso, e não apenas em pontos isolados.
Tecnologia e Eficácia na Segurança Viária
A tecnologia de velocidade média opera através de câmeras instaladas em pares, que registram o horário exato de passagem do veículo em cada ponto. Ao calcular o tempo de percurso em relação à distância, o sistema determina a velocidade média desenvolvida pelo condutor. Experiências recentes, como a realizada em rodovias federais próximas a Uberaba (MG), demonstraram que o número de infrações detectadas por esse método pode ser até 66 vezes superior ao registrado por radares convencionais. Esse dado evidencia que a fiscalização pontual é insuficiente para inibir comportamentos de risco, enquanto o monitoramento de trecho promove uma condução mais constante, homogênea e, consequentemente, mais segura para todos os usuários da via.
O Entrave Legal e o Futuro da Fiscalização
Embora a eficácia técnica seja reconhecida por especialistas e entidades de segurança, a aplicação de multas baseadas na velocidade média ainda enfrenta barreiras jurídicas no Brasil. Atualmente, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não prevê a autuação por velocidade média, limitando a fiscalização eletrônica à medição instantânea no momento da passagem pelo equipamento. Projetos de lei tramitam no Congresso Nacional com o objetivo de atualizar a legislação e permitir a adoção desse modelo, mas ainda não há uma definição clara sobre prazos para a implementação definitiva. Para as empresas do setor de assistência veicular e associações de proteção, acompanhar essa evolução é fundamental, pois a mudança na forma de fiscalizar impactará diretamente a dinâmica de sinistros e a necessidade de suporte nas estradas.
Integração entre Infraestrutura e Conscientização
É importante ressaltar que a tecnologia, por si só, não substitui a necessidade de uma infraestrutura adequada e de uma sinalização clara. O debate sobre a velocidade média deve caminhar lado a lado com a readequação dos limites de velocidade, considerando as características específicas de cada trecho, como curvas, volume de tráfego e histórico de acidentes. A visão de especialistas aponta que a fiscalização deve ser vista como uma ferramenta de preservação da vida, e não apenas como um mecanismo punitivo. Para que o sistema seja eficaz, a conscientização dos motoristas sobre a importância de manter uma velocidade constante deve ser o pilar central, transformando a cultura de direção nas rodovias brasileiras em prol de um trânsito mais humano e menos propenso a fatalidades.