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Notícias30 de setembro de 2026

MPT questiona modelo de assinatura da Uber e pede suspensão do 'Passe para Motoristas'

O Ministério Público do Trabalho ajuizou ação civil pública contra a Uber, solicitando a suspensão do programa de assinatura para motoristas e uma indenização de R$ 321 milhões.

MPT questiona modelo de assinatura da Uber e pede suspensão do 'Passe para Motoristas'

O cenário da mobilidade urbana no Brasil enfrenta um novo capítulo de tensões jurídicas entre plataformas digitais e órgãos de fiscalização trabalhista. O Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou uma ação civil pública, que tramita na 9ª Vara do Trabalho de Salvador, questionando a legalidade do programa 'Passe para Motoristas' da Uber. Lançado em maio de 2026, o modelo permite que os condutores paguem uma taxa de assinatura antecipada para realizar viagens sem a incidência da taxa de serviço tradicional da plataforma. Contudo, o MPT argumenta que essa dinâmica transfere indevidamente os riscos da atividade econômica para o trabalhador, que assume um custo fixo sem qualquer garantia de volume mínimo de corridas.

Riscos operacionais e o debate sobre a dependência econômica

A principal preocupação do Ministério Público reside na estrutura de custos imposta ao motorista. Ao pagar pelo passe, o profissional inicia sua jornada com um saldo negativo ou um custo a ser recuperado, dependendo da demanda do algoritmo da plataforma. O órgão aponta que, caso o motorista não consiga realizar um número suficiente de viagens para cobrir o valor da assinatura, ele pode entrar em um ciclo de endividamento, o que, segundo os procuradores, poderia configurar uma situação de servidão por dívida. Além da suspensão imediata do programa, o MPT solicita a devolução dos valores já pagos pelos trabalhadores e uma indenização por dano moral coletivo fixada em R$ 321 milhões, destacando a gravidade das alegações sobre as condições de trabalho.

Transparência algorítmica e o futuro das relações de trabalho

Além da questão financeira, a ação civil pública toca em um ponto nevrálgico para o setor de tecnologia e transporte: a transparência dos algoritmos. O MPT solicitou acesso ao código-fonte da Uber para compreender como as viagens são distribuídas entre os motoristas que aderiram ao passe e aqueles que optaram pelo modelo convencional. A suspeita é de que a assinatura possa criar uma pressão econômica que limita a liberdade do motorista de atuar em outras plataformas, gerando uma dependência não contratual, mas prática. Para o mercado de assistência veicular e proteção, esse embate reforça a necessidade de monitoramento constante das mudanças nas dinâmicas de trabalho, visto que a instabilidade na renda dos motoristas impacta diretamente a manutenção e a segurança da frota que circula diariamente nas cidades brasileiras.

Em sua defesa, a Uber contestou as conclusões do MPT e afirmou que fornecerá todos os esclarecimentos necessários à Justiça dentro dos prazos legais. A empresa sustenta que o 'Passe para Motoristas' é uma alternativa legítima de remuneração, desenhada para oferecer maior previsibilidade e controle aos parceiros sobre seus ganhos semanais. Enquanto o processo segue em tramitação, o setor de mobilidade observa atentamente o desfecho, que poderá estabelecer precedentes importantes sobre a autonomia dos trabalhadores de aplicativos e os limites da cobrança de taxas por parte das plataformas digitais no Brasil.