Grupo SHC, representante da JAC Motors, recorre à Justiça em novo pedido de recuperação judicial
O Grupo SHC, responsável pela JAC Motors no Brasil, protocolou um novo pedido de recuperação judicial para renegociar dívidas de R$ 239,5 milhões diante de um cenário de queda nas vendas.

O mercado automotivo brasileiro foi surpreendido recentemente com a notícia de que o Grupo SHC, representante oficial da JAC Motors no país, protocolou um novo pedido de recuperação judicial. Com um passivo declarado de R$ 239,5 milhões, o processo abrange 44 empresas do grupo liderado pelo empresário Sérgio Habib. Esta movimentação ocorre pouco mais de um ano após o encerramento de um processo anterior, iniciado em 2018, evidenciando os desafios contínuos enfrentados pela operação brasileira da montadora chinesa em um mercado cada vez mais competitivo e dinâmico.
Desafios Estratégicos e Mudança de Perfil
A trajetória da JAC Motors no Brasil tem sido marcada por tentativas de adaptação a um cenário que mudou drasticamente nos últimos anos. Após um período de forte aposta em veículos elétricos de passeio, a marca viu sua participação de mercado encolher significativamente, registrando uma queda de 51,1% nos emplacamentos em 2025, enquanto o mercado automotivo nacional apresentava crescimento. A ascensão de gigantes como BYD e GWM, que trouxeram escala e agressividade comercial, pressionou a operação da JAC, forçando o fechamento de diversas concessionárias físicas e a migração para um modelo de vendas focado no ambiente digital e em uma rede de oficinas credenciadas para assistência técnica.
Foco no Agronegócio e Reestruturação Operacional
Diante da dificuldade de competir no segmento de elétricos de passeio, a estratégia atual da montadora tem sido redirecionada para o setor de picapes, com destaque para modelos a diesel, visando atender principalmente o agronegócio e frotistas. A empresa busca, através desta reestruturação, otimizar custos e manter a viabilidade do negócio, mesmo com a redução drástica de sua presença física, que hoje se resume a poucos pontos de venda em capitais estratégicas. Para o setor de assistência 24h e proteção veicular, esse cenário reforça a importância de monitorar a saúde financeira das montadoras, uma vez que a descontinuidade de modelos e a redução da rede de concessionárias impactam diretamente a logística de peças, o custo de reparos e a gestão de sinistros de veículos da marca.
O momento atual do Grupo SHC é um reflexo das complexidades inerentes à importação e comercialização de veículos em um mercado que exige alta escala e presença capilarizada. Enquanto a empresa tenta renegociar suas dívidas com credores, incluindo instituições financeiras, o mercado observa atentamente se a nova aposta em picapes será suficiente para garantir a sustentabilidade da operação a longo prazo. Para as empresas de assistência e associações de proteção veicular, o caso serve como um alerta sobre a necessidade de avaliar riscos operacionais ao lidar com marcas que passam por processos de reestruturação financeira, garantindo que a qualidade do atendimento ao associado ou cliente final não seja comprometida pela instabilidade da fabricante.