Novo Projeto de Lei Retoma Discussão sobre Piso Salarial de R$ 5 Mil para Caminhoneiros
O PL 4.789/2026 propõe um piso salarial de R$ 5 mil para motoristas de longa distância, buscando retomar um debate que foi excluído da recente MP do Frete no Senado.

O cenário do transporte rodoviário de cargas no Brasil volta a ser palco de intensas discussões legislativas com a apresentação do Projeto de Lei 4.789/2026, de autoria do deputado federal Ilacir Bicalho. A proposta visa instituir um piso salarial nacional de R$ 5 mil para motoristas profissionais empregados sob o regime CLT que atuem em operações de longa distância. Este movimento ocorre logo após a exclusão de uma medida semelhante da Medida Provisória 1.343/2026, que, embora tenha sido aprovada pela Câmara, teve o dispositivo retirado no Senado por ser considerado matéria estranha ao objeto original da MP. Para as empresas de assistência 24h e gestoras de frotas, acompanhar essa movimentação é fundamental, pois qualquer alteração na estrutura de custos e remuneração dos motoristas impacta diretamente a operação logística e a gestão de riscos nas rodovias.
Detalhes da Proposta e Critérios de Aplicação
O texto do novo projeto é bastante específico quanto à definição de "longa distância". Diferente de uma métrica baseada apenas em quilometragem, o PL considera como operação de longa distância aquela em que o motorista permanece fora da base da empresa ou de sua residência por um período superior a 24 horas. Um ponto crucial da proposta é a natureza do valor de R$ 5 mil: ele deve ser considerado salário-base. Isso significa que verbas como horas extras, adicional noturno, diárias de viagem e outras parcelas variáveis não podem ser computadas para atingir esse montante. A intenção do autor é garantir uma remuneração fixa que ofereça maior estabilidade financeira ao profissional, reduzindo a dependência de jornadas excessivas para compor o rendimento mensal, o que, indiretamente, pode contribuir para a segurança viária.
Impactos para o Setor de Transporte e Assistência
Para o mercado de proteção veicular e assistência 24h, a formalização de um piso salarial traz reflexos importantes. A valorização da categoria e a busca por melhores condições de trabalho tendem a profissionalizar ainda mais o setor, o que pode resultar em uma condução mais segura e menor sinistralidade. No entanto, o setor de transporte, especialmente as pequenas transportadoras, observa com cautela o impacto desses custos fixos na operação. O projeto prevê que, caso aprovado, o valor seja reajustado anualmente pelo INPC, garantindo a manutenção do poder de compra. Além disso, o texto abre espaço para que convenções coletivas estabeleçam pisos superiores, mas proíbe qualquer tentativa de reduzir o valor nacional estipulado.
O Caminho Legislativo e a Perspectiva de Mercado
Após a frustração de ver o tema ser retirado da MP do Frete em julho de 2026, a apresentação de um projeto de lei autônomo permite que o debate ocorra de forma mais estruturada nas comissões da Câmara e do Senado. A participação de entidades sindicais, transportadoras e especialistas será essencial para equilibrar as necessidades dos motoristas com a viabilidade econômica das empresas. Como parceiros estratégicos das associações de proteção veicular e locadoras, a Satélite Assistência entende que a estabilidade do motorista é um pilar para a eficiência logística. Continuaremos monitorando o trâmite deste projeto, pois a segurança nas estradas e a qualidade do transporte de cargas são fundamentais para a sustentabilidade de todo o ecossistema de assistência veicular no Brasil.